quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Aos Poucos


Quero abrir as portas e janelas e sentir que é hoje. Ou pelo menos agir como se fosse. Quero dançar na pista a música que te embala, que te faz bem... É só pra ver se esqueço o meu passado, se deixo, se esqueço mesmo é do meu corpo mais preso ao seu. Preso no último aspecto do íntimo, pra dizer, pra sentir frenesi, sentir que foi você quem me deu.
Quero o universo, as constelações aos nossos pés, ajoelhando-se todas por nós, pra assistir o perigo, o assalto, o furto completo do corpo embaixo dos lençóis. Quero seguir teu trajeto, copiar teus passos, quero arruinar todo e qualquer plano, teu traço que não me comporte, que não me caiba, que não me suporte.
Quero isso e muito do que não tenho, que é só pra ver se você vem. Quero deixar o desejo no ritmo perfeito, alinhar todos os nossos pecados, torná-los pesados, infames, viciosos um a um, cometendo aos poucos, tornando comum.
O que não for pra ser, se esconde, fica a sós e trancado como nós, como se fosse passageiro, como se ninguém fosse preso ao passado.


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