Subi ao telhado. Não recordo se era telhado ou constelação, mas era alto. Encontrei onde pudesse me apoiar sem medo e fui conseguindo segurança, em meio àquele lugar cheio de pedras, montanhas rochosas que, não contentes em se espalharem por todo o chão, também passaram a flutuar. Vestia uma roupa branca e os sapatos brilhavam tanto, que tiniam. Me sentia limpa e bem cuidada, como se outrem tivesse feito por mim. Tudo da maneira como deveria ser, pus-me a cantar absolutamente todas as estrelas - vulgo meu amor - que não esperavam mais morar em mim por mais tempo nenhum, que almejavam sair a qualquer custo. Estavam tão acesas, que conseguiam, com pouco custo, acender toda a escuridão que me cercava. Enquanto cantava, lágrimas iam pingando e saltando pouco a pouco de minha face, e se desfaziam ao chão que eu pisava sem medo. Não era só água com sal que se desmontava... Comparei-as junto ao curso das grandes águas. As estrelas que eu cantava, eram, simplesmente, despejadas uma à uma também ao chão e se quebravam. Quebravam, porque você não podia e nem queria segurá-las. Não tinha força, na melhor das hipóteses. E eu chorava, porque você não podia ouvir, não queria ouvir. Os ouvidos se faziam sensíveis demais, na melhor das hipóteses. Permaneci de pé, porque as estrelas não acabavam nunca e eu continuava a exalar o que eu sentia, cantando o sentimento mais bonito e expelindo a tristeza mais sincera. Eu nunca ia desistir, eu jamais sairia dali. Você não queria, mas... Mas eu tinha tudo por nós. Enfim, o sonho acabou, acordei e não tive dúvida: aquela era eu. As estrelas eram todo o amor que tenho. As lágrimas eram somente a falta de recíproca. Tudo era uma realidade abstrata. E algo faltou... Faltou você, que recusou o tempo inteiro o que de mais especial eu podia fazer.
quinta-feira, 31 de março de 2011
segunda-feira, 21 de março de 2011
Menina
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D
às
20:54
Aquele lugar era mais familiar do que qualquer outra coisa, mas hoje foi diferente. Esteve lá por muitas vezes, há tempos atrás, e depois daquela cena se lembrou do quanto foi bom. Parecia ter recebido um presente e foi um presente. Porém, teve medo de se entregar e lutou com muito custo para que o passado não viesse à tona. Pobre menina-mulher... Já imaginava que seria inevitável, mas quis tentar evitar. Por charme? Quem sabe. Morria de vontade, mas não podia ceder. Queria outra coisa, e o que desejava estava exatamente inacessível naquele instante. Fazia uma coisa pensando em outra. Isso a fez sentir suja, mas com enorme vontade de matar sua sede daquela que mais morava em seus sonhos. Fazia de um tudo para ser melhor. Não media esforços, nem inteligência, nem dinheiro, nem raciocínio, nem razão, nem amor. Não resolveu. Foi em frente e continua desejando o que é melhor pra si.
sexta-feira, 18 de março de 2011
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Postado por
D
às
20:10
Não sou concreto e exijo mais afeto e atenção. Estou farta de estar quase viva, mas poucos são os que parecem notar. Estou aqui, esperando por um milagre, quem sabe. Alguma alma, algum corpo e coração disposto a me salvar. Acendo um cigarro junto ao esqueiro que abro fogo e boto sobre as gengivas para sentir que estou viva. Não durmo em noites cinzas , eu espero clarear. Não respiro em dias nublados, eu espero ensolarar. Não almejo a escuridão, pois já faz parte do meu lar. A gente precisa mudar, a gente precisa se mudar: corpo, alma e coração; situação... Precisa mudar. Não é difícil concluir, apenas veja onde fomos parar.
Já não é mais agradável, já não queria só o imaginável, eu quero mesmo é o realizável, quero mesmo é fugir daqui.
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