Subi ao telhado. Não recordo se era telhado ou constelação, mas era alto. Encontrei onde pudesse me apoiar sem medo e fui conseguindo segurança, em meio àquele lugar cheio de pedras, montanhas rochosas que, não contentes em se espalharem por todo o chão, também passaram a flutuar. Vestia uma roupa branca e os sapatos brilhavam tanto, que tiniam. Me sentia limpa e bem cuidada, como se outrem tivesse feito por mim. Tudo da maneira como deveria ser, pus-me a cantar absolutamente todas as estrelas - vulgo meu amor - que não esperavam mais morar em mim por mais tempo nenhum, que almejavam sair a qualquer custo. Estavam tão acesas, que conseguiam, com pouco custo, acender toda a escuridão que me cercava. Enquanto cantava, lágrimas iam pingando e saltando pouco a pouco de minha face, e se desfaziam ao chão que eu pisava sem medo. Não era só água com sal que se desmontava... Comparei-as junto ao curso das grandes águas. As estrelas que eu cantava, eram, simplesmente, despejadas uma à uma também ao chão e se quebravam. Quebravam, porque você não podia e nem queria segurá-las. Não tinha força, na melhor das hipóteses. E eu chorava, porque você não podia ouvir, não queria ouvir. Os ouvidos se faziam sensíveis demais, na melhor das hipóteses. Permaneci de pé, porque as estrelas não acabavam nunca e eu continuava a exalar o que eu sentia, cantando o sentimento mais bonito e expelindo a tristeza mais sincera. Eu nunca ia desistir, eu jamais sairia dali. Você não queria, mas... Mas eu tinha tudo por nós. Enfim, o sonho acabou, acordei e não tive dúvida: aquela era eu. As estrelas eram todo o amor que tenho. As lágrimas eram somente a falta de recíproca. Tudo era uma realidade abstrata. E algo faltou... Faltou você, que recusou o tempo inteiro o que de mais especial eu podia fazer.
quinta-feira, 31 de março de 2011
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