sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Veneno

Após um dia cansativo e de sensações das mais diferentes classificações, tamanhos e formas, pensei estar expelindo veneno. O veneno que eu mesma preparei, que eu mesma consumi. Não achei que isso pudesse existir dentro de mim, a única coisa que eu sabia e sentia é que a noite estava boa demais para bater na própria cara, riscar as paredes de dentro de casa, quebrar os espelhos mais próximos, raspar canivetes na própria pele ou qualquer coisa me fizesse arrancar veneno das veias. Sentia como se meu próprio mundo não fosse mais meu. Como se tudo tivesse mudado sem a minha permissão, como se até os objetos merecessem mais atenção de alguém. De vez em quando, volta e meia, lia algo bom, opiniões a respeito de si mesma, mas o efeito logo passava. Aquela nuvem rapidamente voltava para fazê-la acordar mais uma vez para a realidade escura que a cercava. O gosto não era dos mais agradáveis, mas já estava conformada, já sabia que sentir aquilo era perfeitamente normal para o seu estado quase que terminal. Tinha vontade de regredir, voltar ao tempo doce da infância, entretanto, à sua frente um longo caminho lhe esperava para atravessar. Ela escolheu ir em frente, mas jamais achou que cada passo levaria dias ou até mesmo meses para se concretizar. Esperava mais do futuro, mas só recebia promessas. Passava o dia em cima da cama com um livro, uma música, para imaginar como poderia ser a sua vida daqui quinze anos. O que ela ás vezes esquece, é que talvez ela não esteja mais aqui todo esse tempo. Precisa respirar, precisa ver um sorriso para se emocionar, precisa da paciência, mas precisa mais que tudo, de amor. Amor.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Não quis falar do AMOR

Olha para todos os lados como se fosse encontrar alguma nova pedra para remover, ou algum tipo de código para decifrar, como se fosse resolver algo. Espera algum tipo de sinal para poder agir, mas tudo que recebe é recuo, é medo de se entregar. Ainda há gosto de sangue na boca, a ferida ainda está aberta, ainda sangra, ainda chora... Os pés rastejam, mas nem saem do lugar. O barulho dos pingos se desfazendo no chão, caindo do lado de fora das paredes do quarto, te inspiram tristeza. Eles soam perfeitamente como as lágrimas que tem derramado. Do lado de fora das paredes existem muitos outros sentimentos, mas que talvez, somente a aparição do sol a faça lembrar. Precisa abrir a janela e ofuscar a visão, sentir as pupilas ardendo, quer que o brilho seja tão intenso, que te faça fechar a janela outra vez, e que desista de testar os novos sentimentos. Escolhe a música mais sombria e melancólica, quer a dor na sua última acepção, no seu último aspecto, no seu último grau. Algum tipo de sadomasoquismo involuntário, algo muito mal planejado por quem não parece almejar alegria alguma pra sua nova maneira de viver, uma maneira que ainda terá como protagonista aquela que se sente a mais indigna de experimentar e ter o deleite da vida. Sentir e ser o desgostoso, ás vezes parece mais prazeroso. É exatamente a inércia do corpo, a desídia que tem consigo mesma, a falta de alguém pra cuidar, de alguém pra lembrar que tudo que ela tem querido, tudo que ela tem pensado, até o modo como tem estado, é ilusão, são apenas devaneios da alma, uma mera confusão entre a cabeça, o espírito e o coração. Isso é tudo que se tem, desde que o pretexto que ela tinha pra respirar, sumiu, ultimou, virou pó.