Após um dia cansativo e de sensações das mais diferentes classificações, tamanhos e formas, pensei estar expelindo veneno. O veneno que eu mesma preparei, que eu mesma consumi. Não achei que isso pudesse existir dentro de mim, a única coisa que eu sabia e sentia é que a noite estava boa demais para bater na própria cara, riscar as paredes de dentro de casa, quebrar os espelhos mais próximos, raspar canivetes na própria pele ou qualquer coisa me fizesse arrancar veneno das veias. Sentia como se meu próprio mundo não fosse mais meu. Como se tudo tivesse mudado sem a minha permissão, como se até os objetos merecessem mais atenção de alguém. De vez em quando, volta e meia, lia algo bom, opiniões a respeito de si mesma, mas o efeito logo passava. Aquela nuvem rapidamente voltava para fazê-la acordar mais uma vez para a realidade escura que a cercava. O gosto não era dos mais agradáveis, mas já estava conformada, já sabia que sentir aquilo era perfeitamente normal para o seu estado quase que terminal. Tinha vontade de regredir, voltar ao tempo doce da infância, entretanto, à sua frente um longo caminho lhe esperava para atravessar. Ela escolheu ir em frente, mas jamais achou que cada passo levaria dias ou até mesmo meses para se concretizar. Esperava mais do futuro, mas só recebia promessas. Passava o dia em cima da cama com um livro, uma música, para imaginar como poderia ser a sua vida daqui quinze anos. O que ela ás vezes esquece, é que talvez ela não esteja mais aqui todo esse tempo. Precisa respirar, precisa ver um sorriso para se emocionar, precisa da paciência, mas precisa mais que tudo, de amor. Amor.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
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